Eu não sou o amor de ninguém

 Sou o amor da vida de duas pessoas, pelo menos, mas não sou amada o suficiente para que lutem por mim, não sou amada o suficiente para que mudem por mim.

Quando me separei, na primeira vez, eu tinha expectativa de que a pessoa que dizia que me amava, que queria se casar e construir uma família comigo, lutasse pelo nosso relacionamento, que buscasse uma maneira de melhorar as coisas que foram os motivos que causaram nosso rompimento. Ao invés disso, ele achou que o melhor para nós, para mim, era tempo e espaço.

Em alguns meses, ele encontrou alguém, seguia dizendo que me amava, que eu era o amor da vida dele, mas nunca, nem uma vez sequer, voltou atrás. Nenhuma mensagem. Nenhum contato. Nenhuma tentativa.

Agora, separada pela segunda vez, sozinha, solteira, solitária nessa casa imensa, com os meus pensamentos, sou o amor da vida de outra pessoa. Alguém que errou comigo. Alguém que não se dedicou pelo relacionamento, alguém que fez pouco caso do que tínhamos, alguém que nas oportunidades que teve, nem titubeou em pegar suas coisas e ir embora.

Vejo a história se repetir. Sigo me sentindo insuficiente. Que tipo de amor é esse?

Pelo amor da minha vida, eu fazia cartas. Eu comprava presentes. Eu planejava viagens. Eu planejava futuro. Eu planejava negócio. Pelo amor da minha vida, eu suportei a pior dor que já experimentei. Perdoei mentira. Corri rua afora, no frio, atrás dele para não me deixar. Pelo amor da minha vida, eu aprendi que relacionamento não se termina, se senta e conversa, se fala e tenta resolver. Pelo amor da minha vida eu busquei entender qual era o problema com a minha libido. Pelo amor da minha vida eu fiz e faço terapia. Pelo amor da minha vida eu aprendi a me comunicar, aprendi linguagem do amor, busquei entender dentro de mim, quais eram meus erros, meus defeitos, melhorei.

O quanto você me ama?

Você me ama mesmo ou queria me ter?

Você suportaria me ver sendo feliz nos braços de outra pessoa? Você suportaria ver outra pessoa fazendo por mim o que você conseguiria fazer, mas escolheu não fazer?

Amarga a tua boca pensar em outra pessoa dividindo a cama comigo? Tocando no meu corpo nu?

O que cê sentiria ao me ver construindo a família que desejamos, ao lado de outra pessoa?

Como fica teu coração ao pensar que numa noite qualquer eu vou sentar, beber um vinho, falar aleatoriedades e dar risada, dividir minha loucura com outro?

Alguém, em algum momento, vai saber minha cor favorita, vai ouvir minhas músicas e me ouvir cantar, vai me comprar flores, vai saber meu doce preferido, vai aprender a gostar de sushi para comer comigo, vai me presentear sem datas especiais, vai criar memórias em lugares que ainda não pisei. Você vai deixar isso acontecer? Com o amor da sua vida? Você vai deixar eu ser o amor da vida de outra pessoa, de novo?

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